A tal da polícia corrupta...


Durante 70 dias de viagem, só fomos parados pela polícia na Argentina, todas as paradas foram rápidas e de praxe, exceto uma. Enquanto no sul, era pedido os documentos e o seguro, na volta para o Brasil fomos enviados para falar com o supervisor. Tá, calma, vamos começar do início.



Antes de viajar lemos diversos relatos de polícia corrupta, entre eles sobre a famosa polícia de Entre Rios, na Argentina. Eram textos e mais textos sobre o que podia, o que não podia, os absurdos cobrados, sobre manter resistência, entre outras dicas. O fato é que algumas pessoas nunca tiveram problemas com esses policiais, ao contrário de outras que tiveram que pagar multas caríssimas em efectivo. Resolvemos que iríamos de Santa Fé até Uruguaiana em um dia, na véspera conversamos com um caminhoneiro brasileiro que falou que realmente esse trecho tinha polícia e que por mais que você tentasse pegar uma rota para fugir de uma, na outra rodovia também teria e talvez fosse pior.

Olhando o mapa eu tentava imaginar onde estaria o tal posto policial e tava aí, a aposta era em um cruzamento de duas rodovias e 100m de onde as rutas se encontrava tinha uma blitz. Fomos parados. Documento, passaporte e seguro pedidos. O policial sem nem disfarçar saiu olhando ao redor da kombi para tentar encontrar algo, até que pimba! A desculpa? O socorro na frente não estava especificado no seguro. Que? Seu guarda, o seguro é contra terceiros e mesmo que fosse da kombi não especifica isso. Já mudou para: É a lei argentina, não pode passar nada do para-choque. Lei estranha essa, só funciona nesse distrito, interessante.

O que a gente tinha a informação era sobre o engate do reboque, que de fato é proibido, mas quando não está instalado (a bolinha) a estrutura continua no carro e pasmem, passa do para-choque. Enfim, a gente sabia que o nosso carro não tinha problema nenhum e era tudo mentira, mantemos a calma, mas tivemos que pegar a fila para falar com o supervisor em uma sala reservada.

Conversamos com diversos argentinos, enquanto esperávamos outro brasileiro lá dentro, era sempre assim. Levamos até um documento da aduana que permitia que o carro trafegasse na Argentina até novembro de 2016, com a afirmativa de que "se nos deram esse papel, esquece meu amigo, nós estamos com tudo certo". Conversamos com o guarda, em nenhum momento tocamos no assunto multa, o supervisor já trocou o assunto e falou que não tinha o socorro na frente especificado no documento do veículo. Mas não era no seguro? Nós falamos que tínhamos sido parados por outro motivo e ainda lembramos que o socorro de um carro como uma eco sport também passa do para-choque, ele alegou que vinha de fábrica. Ele viu nosso vídeo para saber que o nosso não veio? Por fim, falamos que se esse era o problema nós iriamos tirar o pneu da frente. Irritadíssimo ele disse "POR FAVOR". Fomos lá, tiramos em 2 minutos, voltamos para mostrar pra ele. Mas, agora era tarde, ele estava no telefone e fez questão de atender as 5 pessoas da fila antes da gente.

Sem problemas, pegamos nosso pão e nosso melado e fizemos um lanche lá na frente, como quem não tem pressa nenhuma. O Germano ainda ficou tirando fotos de como o suporte do engate do reboque também passava do para-choque. Aliás, outros argentinos ficaram tirando fotos do posto policial, talvez para denunciar, não sabemos. Passou toda a fila e desistimos de voltar a falar com ele, depois de uma hora ele nos chamou na sala novamente, só o Germano foi, ele virou a cara (literalmente e descaradamente) e estendeu o braço com o documento do carro + carteira de motorista. Estávamos livre e uma euforia tomou conta. Até chegar em Uruguaiana ficamos conversando sobre como eles não sabem nem o que querem cobrar, aquele velho papo de cobrar até lençol branco das pessoas.

Até chegar na fronteira passamos por mais duas barreias policias, uma com um guarda super simpático, que só perguntou de onde estávamos vindo e para onde iriamos, a segunda com ex-combatentes da guerra das malvinas que vendiam mapas e livros com as leis argentinas para escapar dos policiais corruptos, já era tarde.

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